
Desabafo de uma mãe... | 03/04/06
Caras, a Ana Alice nos enviou este texto lindo sobre a maternidade/gravidez. Queremos compartilhar com vocês por que, com certeza, todas as mães devem sentir o que ela sentiu e sente. Valeu, Ana. bjs, Roberta
Mãe é mãe desde que engravida até morrer. Parece drástico mas é verdade. Eu sei que pai também se preocupa, sente, ama mas é diferente. É dentro da nossa barriga, do nosso corpo que bate um novo ser vivo e tudo o que você faz, desde a gravidez, já influencia o seu bebê. Primeiro você vê o teste positivo e vai caindo a ficha. Aí você se pega descendo a escada como uma senhora de 80 anos, com todo o cuidado, pensando antes de comer e ver se é saudável ou não, você deixa de ser você somente e passa a ser você e o bebê. A gravidez muda a vida da gente em tudo, até na forma como você é tratada pelas pessoas. Carinhosamente pelos familiares, com olhares cuidadosos e simpáticos pelos desconhecidos, mas também com olhares reprovadores se sai da linha.
Eu já ouvi de uma vendedora um "sua médica não te disse que não pode usar salto alto?". Todo mundo quer passar a mão no seu bebê, ou seja, na sua barriga, mas isso é mero detalhe. É um monte de mudanças e eis que você se vê um dia, desesperada, de calcinha e soutien, na frente do espelho, gorda, sim, porque no início você parece somente uma gordinha, e nenhuma roupa cabe na nova forma. Aí você nota que mais mudanças estão chegando. Como trabalhar, sem roupas? Os sapatos de salto são perigosos, a sua bolsa pesada, de tanta tralha que você acostuma carregar precisa ficar mais leve, é muita mudança. E começam então os conselhos de pessoas mais experientes, mas às vezes meio desatualizadas, de mães da sua geração, com quem eu costumava conversar para pedir conselhos, e de curiosas. Os curiosos teóricos são os melhores. Falam tudo que leram nos livros, mas não sabem trocar uma fralda. Sabem todas as teorias freudianas sobre crianças, mas nunca tiveram uma barriga pesada para carregar, no verão então, nem se fala. O pior é que muitas vezes mãe de primeira viagem, e eu me incluo nelas, ouve mais do que deveria e guarda algumas "dicas" que não são exatamente próprias à realidade. Durante a gestação começa o papo cesária ou parto normal, amamentação, estrias, exercício durante a gravidez e tantos outros assuntos obrigatórios.
Bom, eu sou mãe de dois filhos e tenho lá as minhas experiências, todas as mães têm. Mas o principal aprendizado que eu tirei disso tudo é que você precisa respeitar o seu ritmo, seja de vida, seja do seu filho, seja do que melhor te atende. Eu queria muito parto normal, mas acho quem, nesse caso, vale a experiência da minha médica que diz que não se deve correr riscos desnecessários. Para que bater o pé que quer um parto normal se há riscos para o bebê ou para a mãe? Não tive nenhum dos meus partos normais, infelizmente... ou felizmente pois ambos nasceram saudáveis. O meu primeiro filho estava enrolado no cordão umbilical, a segunda não tinha dilatação. Aprendi disso tudo que não dá para ser radical e arriscar uma vida de felicidade por causa de um dia. Se é cesária, que seja. É mais difícil a recuperação, deixa a cicatriz, mas fazer o quê? No primeiro parto, fiquei toda triste ao ver a mãe do quarto do lado saindo com seu bebê no colo enquanto eu andava com dor e o meu bebê saía no colo da minha mãe por eu não ter como carregá-lo. Depois, você releva e segue em frente. O que tiver que ser será. E olha eu aí na segunda cesária. Começa então o papo amamentação. A gente vê as campanhas, os anúncios de dia das mães, lindos, mas ninguém mostra o peito rachado, a criança chorando sem querer pegar o peito. E depois que o neném nasce, começa a novela, você não sabe como fazer, o neném não quer mamar e a mãe novamente se sente culpada, já acha que não tem leite, que talvez tenha se alimentado mal, que é "seca", e todas as barbaridades possíveis. O bebê então finalmente começa a mamar depois de 2 ou 3 dias de sofrimento da mãe e começa o peito a rachar e ali está a mãe, firme e forte, resistindo até que tudo entra no ritmo.
O que mais aflige nesse início é que a gente não vê luz no fim do túnel, acha que não tem solução, às vezes se desespera e tudo acaba bem. E nessa hora, claro, todo mundo tem uma história de amamentação feliz para te contar. Eu me lembro do meu primeiro filho, eu desesperada, pois ele nunca estava satisfeito até que o médico receitou o tal "complemento". E cada vez que ele acabava de mamar ficava aquele suspense se ele ia querer mais e, quando o meu marido via ele inquieto e sugeria um complemento, rolavam lágrimas no meu olho e eu pensava “não sou suficiente, meu leite está secando, ele não vai mais mamar se pegar mamadeira” e mais um monte de besteiras. Bom, ele mamou até os 8 meses. Depois, na segunda, a minha bebê só mamou até os 2 meses depois de muito esforço. Lamentei e tudo, mas com certeza foi muito mais tranqüilo.
Mas falando no período da gravidez, um dos grandes conselhos que recebi foi o tal óleo de amêndoas na barriga para evitar estrias. Esse realmente foi ótimo. Eu costumava me aconselhar com algumas amigas que já tinham tido filhos, mais de um, se possível. Algumas são mais tranqüilas, outras menos, mas a experiência do depois é sempre legal. Me apresentaram a tal mamadeira que separa leite da água que foi um dos itens que mais usei. Nada de levar leite em potinho e ficar fazendo mamadeira na rua. Outra coisa que acho que, para algumas pessoas, principalmente as mais velhas, é um tabu, mas que quebra um galho é potinho Nestlé. Na rua, é a solução dos seus problemas. Isso de levar sopinha feita em casa em potinho para mim, não dá. E também nunca esquentei nada, nem mamadeira nem sopinha. Vamos facilitar a vida em vez de complicar. Até hoje, meu filho de 4 anos, não toma leite se esquentar. Tudo é questão de costume e quem acostuma somos nós, os pais. Aliás, isso de acostumar se aplica principalmente ao sono. Novamente eu, no primeiro filho, acostumei que ele fazia um barulhinho, lá estava eu correndo e pegando ele no colo. Pois com um ano ele acordava praticamente de duas em duas horas. Olha, para quem tinha que trabalhar no dia seguinte e não tinha babá à noite, imagine o desespero.
Aliás, isso de babá é engraçado, pois também vejo muitas mães querendo ser mãe tempo integral e não querendo babá. Algumas são guerreiras e resistem, mas, cá entre nós, a maioria se rende à ajuda da babá. Eu hoje sou a favor de quanto mais ajuda melhor. Quero poder estar descansada para poder curtir e não acabada e sem paciência. Até porque, até o casamento agradece. Eu tinha uma babá que dormia duas vezes por semana só que como ele ficava comigo nos outros dias, acabava eu acordando nos dias da babá também. Tinha a babá, mas ficava atenta pois tinha que estar junto o tempo todo. Isso era também durante o dia. Para todo o lugar que eu ia, levava ele e acabava cansando a nós, dois, mais do que o necessário. Hoje, minha filha fica em casa, no cantinho dela.
Mas mãe é bicho bobo mesmo. Eu até hoje pago pelos erros cometidos, erros bobos até. Eu sempre achei uma bobagem colocar sapato em criança. “Ela não anda no chão ainda”, eu dizia. Pois bem, até hoje o pé do meu filho faz bolha por qualquer coisinha. Já cansei de comprar tênis e sandália e ele usar uma vez e não querer mais. É difícil ele querer usar tênis ou sapato fechado e as sandálias acabam sendo sempre de camurça, macia para não machucar. Não esqueço o dia em que eu comentei essa dificuldade numa sapataria infantil, e a dona da loja me perguntou se ele usava sapato quando bebê. Eu disse que não, e ela disse que isso acontece muito e ainda ouvi que é por zelo demais da mãe. Olha a mãe aí de novo.
Enfim, é assim mesmo, a gente vai aprendendo, olhando. Minha sogra diz que a gente devia ter filho depois do quarto. Sábias palavras. Essas dúvidas no primeiro filho acabam gerando para alguns casais a decisão de não ter mais filhos. Eu tive o segundo e acho que, agora, daria para ter até um terceiro. Os problemas são tão mais fáceis de serem administrados, as ansiedades são tão menores e a experiência, ainda que de um filho só, contam muito e facilitam a nossa vida.
A cada dia vão surgindo outras dúvidas, e a gente vai errando até acertar: escolha do pediatra, da escolinha, escolha da babá (ou não), são tantas e tantas. Eu sei que é muito bom, apesar de tudo e de todos, filho é o que há de melhor nessa vida. Só peço todos os dias pela saúde deles, pois o resto a gente vai encontrando a solução e, com amor, a gente chega lá.
um abraço,
Ana Alice Domenech Oneto
Comentários
Emocionante Ana, até porque lembro de alguns episódios... Parabéns pelos filhos lindos: Luis Felipe e Ana Clara, os sobrinhos mais maravilhosos do mundo. Um beijo enorme pra você que é uma super mãe!!! Marcia
Enviado por: Marcia Domenech Oneto | April 3, 2006 06:54 PM
É isso aí prima, nada como a experiência. Quando eu inventar de ter os meus, com certeza já sei com quem me aconselhar!
Um beijão e parabéns!
Enviado por: Daiva | April 3, 2006 06:57 PM
Poxa, mas a gente só devia ter filho depois do quarto? Assim fica difícil!
Eu estava quase me enquadrando na categoria "casais que decidiram não ter mais filhos depois das penúrias com o primeiro"... mas depois desse texto, Ana (a.k.a. "chefinha, chefinha") vou pensar melhor.
Beijos a todas!
Enviado por: Clarissa | April 4, 2006 09:26 AM
Sensacional!
A Ana é uma super mãe!Parabéns!
Bjs,
Enviado por: Luciana | April 5, 2006 07:47 AM
Como disse a Ana, experiência faz toda diferença. Por isso é legal nós - mamães ou futuras mamães - trocarmos o maximo de idéias e nos ajudarmos!
bjão
Enviado por: estellita | April 5, 2006 05:01 PM
Realmente qdo vc vira mãe vc enlouquece ou se esquece das outras coisas.Quem sabe um dia eu possa olhar tudo isso e rir das minhas próprias besteiras?Parabens pelo texto.Adorei.
Enviado por: Juliana Gomes | February 21, 2007 11:38 AM
Fe, leia pelo menos os 4 ou 5 parágrafos deste texto.. eh legal...
Enviado por: Felipe | February 23, 2007 11:19 AM
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Enviado por: Alex Fetcher | November 1, 2007 08:16 PM