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Palpites Demais | 04/04/06

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Uma das maiores angústias das grávidas é o mar de palpites, opiniões e conselhos que surgem a todo o momento durante a gestação e se estende pelos primeiros anos da vida do bebê. É saber da gravidez e, pronto, começam a exposição: sua barriga torna-se pública, todos querem acariciar/“tocar” no bebê e dar palpites na sua vida (e na do bebê, claro). Estranhos ficam íntimos em segundos. Desde sua empregada até seu chefe. Todos se tornam mestres em gravidez, graduados e pós-graduados. Você escuta o palpite, sorri, quer matar um, mas, no fundo, entende a boa intenção. Será?

Qualquer que seja o tema, tem sempre alguém com uma dica surpreendente.
- Oh, não pode beber Coca-Cola, viu?!
- Grávida não pode se assustar. Corre o risco de perder o bebê!!!
- Xiiiii. O leite está fraco? Cerveja preta!!! É só o que resolve.

De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. Eduardo Motta, de São Paulo, é importante dizer que as pessoas fazem isso porque demonstram interesse, ou seja, a intenção é boa. “A grande questão é que a experiência de uma gestante não se aplica a outra, cada uma tem um jeito e uma dinâmica diferente e deve respeitá-la”, conta ele. Uma outra questão que muitas pessoas não param para pensar é no bem-estar da grávida. “Os de fora chegam dando palpite, sugestões e não param para ouvir se ela, a grávida, está bem, se está feliz, se está se sentindo bem etc. Na maioria dos casos, o foco passa a ser a gravidez e não a grávida”, acredita Dr Eduardo.

E quantas mulheres já não se odiaram ao ver em filmes, novelas e comerciais a gestação e o pós-parto como o ato mais sublime, lindo e colorido da vida feminina? No mundo do faz-de-conta, a mulher não sofre com bebês com cólicas, não tem depressão pós-parto, não sente a dor lancinante de um seio rachado. Naquele mundo, as mães são tranqüilas, lindas e sorridentes.

A fase não é fácil, é marcada, ainda, pelas inevitáveis cobranças familiares. As pessoas compartilham de uma forma tão intensa que se sentem grávidas junto com a futura mamãe e tentam ajudar de todas as formas.

Um problema que vem tomando uma proporção cada vez maior é a ansiedade dos pais. Hoje em dia, com poucos meses de gravidez já é possível saber o sexo da criança. “Isso é muitíssimo complicado porque, com 2 meses, quando já se sabe o sexo, tudo passa a decidir a vida da criança. Ali já se tem o Joãozinho ou a Mariazinha, eles têm identidade e, quando nos damos conta, o pai já decidiu que o menino será corintiano, e a mãe já quer matricular a menina no balé”, conta o Dr. Eduardo Motta.

Segundo o ginecologista, o primordial a ser feito é parar e pensar que a vida dos filhos não seguirão o planejamento traçado por seus pais, e que os pais não serão capazes de controlar tudo. É essencial entender qual a finalidade da gravidez.

Em algumas situações, chega-se ao absurdo de pessoas de fora do núcleo familiar quererem acompanhar a gestante às consultas e exames. O ideal é que o pai e a mãe compartilhem estes momentos e tirem suas dúvidas. Estas podem e devem surgir, mas devem ser esclarecidas a cada período da gestação.

Não é por mal, mas as grávidas sofrem... É de doer ouvir conselhos que não acabam mais. Mas como lidar com os palpites de avós, familiares, amigos e conhecidos? Com discernimento e gentileza. Muitas vezes responder com um sorriso é a melhor saída. As pessoas, movidas pelas melhores intenções, julgam-se no direito de dar opiniões e até de impor regras aos pais.

Há situações que há sabedoria nos conselhos, mas, em geral, tratam-se apenas de crendices. Assim, o melhor é a política da boa vizinhança, ouvindo o que é dito, mas sem necessariamente seguir o conselho. Só o do médico e dos profissionais por ele indicado.

Mas o que fazer se o marido estiver entre essas pessoas, principalmente por sentir que não é mais o foco de atenção da mulher? “Nesse caso, estamos diante de uma saia justa, mas o médico é o melhor remédio pois é o único que poderá contribuir sem ser parcial. É o médico que, neste momento da vida do casal, passa a ter mais liberdade com eles. Esta hora é ótima para que o marido comece a participar das consultas e sanar suas inseguranças”, aconselha o ginecologista.

Em resumo: o momento é seu. Tenha tranqüilidade, compartilhe suas angústias e, diante de um conselho, escute e agradeça. Na dúvida, converse com seu médico. Com seu médico, ouviu?!


Médico consultado:
Dr. Eduardo Motta é médico ginecologista dos Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Hospital das Clínicas Telefone: (11) 3168-5311 e (11) 3259-6093.
E-mail: doutor@eduardomotta.med.br

Bjs,
Marcia



Comentários

Minha mãe tomou cerveja preta durante a amamentação. Dizia a lenda que era pro leite render.

Muito engraçado o texto. Acontece exatamente desse jeito. É irritante por um lado e hilário de outro. No fundo, as pessoas estão cheias de boas intenções.

Esse lance de conselhos é engraçado... No fim de semana estava com meu pai (que é pediatra) e encontramos com a avó de um paciente dele. Imediatamente ela começou: Doutor, meu netinho precisa engordar. Você sabe que a mistura de blá blá blá...

E o pior é que não dá nem para ficar bravo. Meu pai ficou rindo e dizendo que o nenê estava ótimo e que ela não precisava se preocupar. Mesmo assim, se despediu pedindo que ele "engordasse o netinho dela".

Entendo muito bem quando você diz sobre a ansiedade dos pais.Meus pais tinham a mania de planejar nossas vidas quando ainda estávamos na barriga e continuou depois que eu e meus irmãos nascemos. Ele queria um médico, um militar e um engenheiro como ele. Acabou com uma nutricionista, um publicitário e um estudante de educação física. Não sei se houve uma decepção, mas com certeza não aconteceu como planejaram. Nunca acontece.
Abraços
ótimo post.

Gente, acho que vou criar uma polêmica, mas preciso confessar que eu já fui uma dessas pessoas que paticipou de todas as etapas da gravidez de uma amiga. Inclusive fiu eu quem a levou para o hospital. Meu maior sonho é ser mãe e quando vejo uma grávida já vou perguntando tudo, mas não é por mal, eu juro... bjs

Eu não tenho nenhum instinto maternal por enquanto, mas confesso que ia achar insuportável ver tanta gente dando palpites.

Acho que depende de cada mulher, mas como os hormônios estão a mil nessa fase, provavelmente elas ficam irritadas e sensíveis com qualquer coisa. É quase uma TPM de 9 meses (Meu Deus!).

Adorei o texto. Tenho uma bb de 7 meses e desde que engravidei sofro com as tais crendices e supertições...principalmente por parte da sogra (tinha q ser, neh?rs). Mas eu só escuto por um ouvido e sai pelo outro..Mas q tem hora q dá raiva dá...Principalmente qdo ela fala para eu desmamar minha filha..Viro um bicho, fecho a cara e naum falo mais nada...rsrsrs

eu, assim como a Veri, sonho em ser mãe e vejo os palpites alheios como uma forma de carinho!

bjs

é assim mesmo, e o pior é que ja não consigo dar sorrisinhos... A coisa ja esta sem controle, quero ter meu bebe longe....bem longe

quero saber que dia aproximadamente engravidei não me lembro que dia foi a última menstruação mas fiz uma eco dia 17/04 diz que eu estava com 07 semanas e 05 dias agora ja devo estar com 08 e 03dias e se eu tivesse engravidado lá pelodia 14/03com quantas semanas estaria hoje. por favor me responda

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