Carinho em doses | 18/07/06
Além da preocupação com o estado de saúde do bebê, uma das principais preocupações das mães de prematuros é permanecer perto da criança o máximo de tempo possível, além do anseio de pegá-lo no colo. Nos hospitais que adotam o método canguru, este sonho pode ser realizado, ainda que aos poucos, em horários específicos e com todos os cuidados necessários para a saúde do bebê e bem-estar materno.
Criada em 1979 na Colômbia, a “posição canguru” surgiu como tentativa de diminuir os altos índices de mortalidade neonatal no País. Na época, imaginou-se que a prática de colocar o recém-nascido contra o peito da mãe poderia substituir as incubadoras, o que permitiria alta precoce, taxas menores de infecção hospitalar e custos menores para o sistema de saúde. No Brasil, os primeiros hospitais brasileiros a adotarem o método foram o Guilherme Álvaro, em Santos, e o Instituto Materno e Infantil de Pernambuco (Imip), no Recife, ambos na década de 1990.
O Ministério da Saúde implementou o projeto em 1999 no SUS (Sistema Único de Saúde). Por meio da Área Técnica de Saúde da Criança e contribuição de consultores, conta com um padrão para este tipo de atendimento com os procedimentos recomendados, que vão desde a orientação necessária às gestantes de risco até os passos para a implementação do programa em instituições de saúde.
O método consiste em sessões definidas de acordo com a saúde do bebê – podem acontecer algumas vezes por semana ou todos os dias. O método “mãe-canguru” é baseado três princípios: o calor, gerado e transmitido pelo corpo da mãe ao entrar em contato com o bebê, que substitui o calor mecânico da incubadora e diminui os riscos de hipotermia e hipertermia; o leite materno, que alimenta o bebê e lhe dá proteção imunológicas contra infecções, e o amor, que estimula a criança a se desenvolver melhor.
Pai também pode – Em alguns hospitais, não são apenas as mães que desfrutam do programa. No ProMatre, por exemplo, os pais também se tornar “cangurus” com seus filhos recém-nascidos e prematuros. É o caso do publicitário Gustavo Fortes, pai de Pedro, de dois meses e nascido de uma gestação de cinco meses e meio. “A sensação é indescritível”, diz ele. Além da emoção, uma das reações mais fortes foi a de nervosismo, especialmente por conta do tamanho do bebê. “Na primeira vez em que o peguei, ele tinha menos de um quilo”. Mas o toque e a tranqüilidade do filho em seu colo deu mais segurança para outras sessões. “Nos primeiros segundos, ele parecia se mexer para se ajeitar no colo. Mas, em seguida, grudava no meu peito e dormia”, diz ele.
A aplicação do método canguru com pais foi destaque também na Folha de S. Paulo , em matéria publicada no dia 25 de junho. Em geral, o método canguru pode ser aplicado a mães e pais, que devem receber, sem camisa, o bebê no colo. As orientações podem ser dadas nas principais maternidades do Brasil.
Na Internet também existe um material extenso sobre o assunto e um dos sites mais completos é o http://www.metodocanguru.org.br, do Ministério da Saúde com patrocínio do BNDES e Fundação Orsa. No endereço, é possível encontrar um histórico do método, perguntas e respostas mais comuns, a norma-padrão do Ministério da Saúde para o programa, além de vídeo, manual e cartilha sobre o programa. O endereço http://www.mulher.org.br/canguru/oquee.htm também possui informações sobre o método, com destaque para as referências bibliográficas.
Serviço:
Método Mãe Canguru:
Portal Mulher.org (especial Mãe Canguru)
ProMatre
Imip
Hospital Guilherme Álvaro
Rua Oswaldo Cruz, 197
CEP: 11045-904 – Santos (SP) - (13) 3202-1300
bjo,
Vilma
A foto que ilustra este post é do site metodocanguru.org.br